18.11.2021 – Fraude tem sido um motivo de preocupação considerável no mundo corporativo, em todos os segmentos, embora o segmento financeiro seja o mais atingido e aquele que mais empreende contramedidas para prevenir a fraude, além de toda a regulamentação a respeito por parte dos órgãos reguladores que precisa respeitar e cumprir.
A Pricewaterhouse Coopers (PwC), por exemplo, executou uma interessante pesquisa em 2020 a respeito de fraudes com 5000 entrevistados em 99 territórios distintos e chegou a algumas conclusões muito interessantes:
| 1. O número médio de fraudes relatadas pelas empresas foi de 6 casos de fraudes. |
| 2. 40% das fraudes foram cometidas por colaboradores internamente, 40% das fraudes foram cometidas por terceiros, externamente e 20% das fraudes foram cometidas por colaboradores e terceiros conjuntamente. |
| 3. O custo total dessas fraudes alcançou a cifra de US$ 42 bilhões. |
| 4. 47% das empresas sofreram uma fraude, ao menos, nos últimos 2 anos. |
| 5. 13% das empresas tiveram fraudes acima de US$ 50 milhões. |
| 6. Apenas 56% das empresas conduziu uma investigação sobre seu caso mais grave de fraude. |
Os resultados encontrados acima demonstram que o risco de fraudes não pode ser absolutamente negligenciado, tanto sob a ótica preventiva, quanto sob a ótica curativa. Considerando a amplitude de entrevistados na pesquisa, especialmente os valores identificados, são como uma gota no oceano, ou seja, em sua totalidade esses valores são significativamente maiores, considerando a quantidade de empresas espalhadas globalmente.
Mas, como definir a fraude? Segundo a wikipedia, fraude é um esquema ilícito ou de má fé criado para a obtenção de ganhos pessoais, apesar de ter, juridicamente, outros significados legais mais específicos. Por conseguinte, não há como não tipificar a fraude como uma conduta criminosa
A mim, particularmente, me agrada muito a percepção trazida por Thomas P. DiNapoli, da Controladoria do Estado de Nova Iorque, que em um artigo intitulado “Red Flags for Fraud”, citou o triângulo da fraude, ou seja, as razões que contribuem para a ocorrência de fraudes, sejam elas executadas por colaboradores internos, por terceiros ou, em conluio, por ambas as partes:
| 1. Oportunidade – ocorre frequentemente em razão das deficiências em controles internos, incluindo falta de revisão, ausência de segregação de tarefas, falta de aprovação gerencial e controles aplicados aos processos. Não é a toa que o ditado já diz que “a ocasião faz o ladrão”. |
| 2. Pressão ou motivação – pode significar uma diversidade de acepções, desde pressão por resultados, prazos inatingíveis, vícios pessoais, pensão alimentícia, dívidas em excesso, manutenção de padrão de vida, etc… |
| 3. Racional – São as razões do fraudador que justificam o seu comportamento fraudulento, como, por exemplo, o risco valer à pena, preferir desviar recursos do que ficar devendo as contas, etc… |
O grande desafio é identificar com acuracidade os indícios de que uma fraude pode estar ocorrendo. Assim, é muito importante, especialmente para aqueles colaboradores que tem por objetivo controlar e coibir irregularidades, o treinamento consistente na identificação desses indícios.
Tomando ainda por base, o excelente artigo de DiNapoli, são elencados abaixo indícios que devem ser cuidadosamente observados por aqueles que tem a missão de coibir irregularidades e pela gestão das empresas:
| Indícios de que uma fraude possa ser cometida por um colaborador |
|---|
| 1. Mudanças no estilo de vida do colaborador: carros caros, joias, casas, roupas, etc. |
| 2. Dívida pessoal significativa e problemas de crédito. |
| 3. Mudanças comportamentais: podem ser uma indicação de drogas, álcool, jogos de azar ou apenas medo de perder o emprego. |
| 4. Alta rotatividade de funcionários, especialmente nas áreas que são mais vulneráveis à fraude. |
| 5. Recusa em tirar férias ou licença médica. |
| 6. Falta de segregação de funções na área vulnerável. |
| Indícios de que uma fraude possa ser cometida por um gestor |
|---|
| 1. Relutância em fornecer informações aos auditores. |
| 2. O gestor se envolve em conflitos frequentes com os auditores. |
| 3. As decisões de gestão são dominadas por um indivíduo ou pequeno grupo. |
| 4. O gestor demonstra desrespeito significativo pelos órgãos reguladores. |
| 5. Há um ambiente de controle interno fraco. |
| 6. O pessoal da contabilidade é negligente ou inexperiente em suas funções. |
| 7. Descentralização sem monitoramento adequado. |
| 8. Número excessivo de contas correntes. |
| 9. Mudanças frequentes em contas bancárias. |
| 10. Mudanças frequentes em auditores externos. |
| 11. Ativos da empresa vendidos abaixo do valor de mercado. |
| 12. Redução significativa em um mercado saudável. |
| 13. Rolagem contínua de empréstimos. |
| 14. Número excessivo de transações de final de ano. |
| 15. Alta taxa de rotatividade de colaboradores. |
| 16. Saques a descoberto inesperados ou reduções nos saldos de caixa. |
| 17. Recusa da empresa ou divisão em usar documentos numerados em série. |
| 18. Programa de compensação desproporcional. |
| 19. Qualquer transação financeira que não faça sentido – comum ou comercial. |
| 20. Contratos de serviço não resultam em nenhum produto. |
| 21. Falta de cópia, documento, nota fiscal ou recibo. |
| Indícios de fraude por mudança de comportamento |
|---|
| 1. Pedido de dinheiro emprestado a colegas de trabalho. |
| 2. Credores ou cobradores comparecendo ao local de trabalho. |
| 3. Jogos de azar além da capacidade de suportar a perda. |
| 4. Bebidas em excesso ou outros hábitos pessoais nocivos. |
| 5. Facilidade de irritação com questionamentos comuns. |
| 6. Fornecimento de respostas não razoáveis às perguntas. |
| 7. Recusa de férias ou promoções por medo de ser detectado. |
| 8. Gabar-se de novas compras significativas. |
| 9. Portabilidade de grandes somas de dinheiro. |
| 10. Alteração de relatórios sob o pretexto de organização na apresentação. |
| Indícios de fraude no Departamento de Contas a Receber |
|---|
| 1. Número excessivo de nulidades, descontos e devoluções. |
| 2. Contas bancárias não autorizadas. |
| 3. Atividade repentina em contas bancárias inativas. |
| 4. Reclamações do devedor de que estão recebendo notificações de não pagamento. |
| 5. Discrepâncias entre depósitos bancários e postagem. |
| 6. Número anormal de itens de despesas, suprimentos ou reembolso ao colaborador. |
| 7. Presença de cheques de colaboradores no caixa pequena para o colaborador encarregado do caixa pequena. |
| 8. Transações em dinheiro excessivas ou injustificadas. |
| 9. Grande número de fechamento de contas. |
| 10. Contas bancárias que não são reconciliadas em tempo hábil. |
| Indícios de fraude na folha de pagamentos |
|---|
| 1. Horas extras incompatíveis para um centro de custo. |
| 2. Horas extras cobradas durante um período de folga. |
| 3. Horas extras cobradas por colaboradores que normalmente não teriam salários extras. |
| 4. Variações de orçamento para folha de pagamento por centro de custo. |
| 5. Colaboradores com números, nomes e endereços da Previdência Social duplicados. |
| 6. Colaboradores com poucas ou nenhuma dedução na folha de pagamento. |
| Indícios de fraude no Departamento de Compra / Logística / Almoxarifado |
|---|
| 1. Número crescente de reclamações sobre produtos ou serviços. |
| 2. Aumento na compra de estoque, mas nenhum aumento nas vendas. |
| 3. Redução de estoque anormal. |
| 4. Falta de segurança física sobre ativos / inventário. |
| 5. Encargos sem documentos de envio. |
| 6. Pagamentos a fornecedores que não estão em uma lista de fornecedores aprovados. |
| 7. Alto volume de compras de novos fornecedores. |
| 8. Compras que ignoram os procedimentos normais. |
| 9. Fornecedores sem endereços físicos. |
| 10. Endereços de fornecedores que correspondem a endereços de funcionários. |
| 11. Excesso de estoque e estoque lento para girar. |
| 12. Colaboradores de compras que coletam os pagamentos do fornecedor em vez de enviá-los pelo correio. |
| 13. Pagamentos ao mesmo fornecedor com registros diferentes. |
Por todo o exposto, controles, revisão e aprovação da alta gestão são fundamentais para coibir fraudes. Daí a relevância de áreas como compliance, controles internos e controladoria.
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