11.08.2021 – No mundo corporativo das finanças, ESG tem sido “a bola da vez”. Na verdade, ESG é uma sigla de 3 (três) palavras em inglês, significando environmental, social and governance, ou seja, meio ambiente, responsabilidade social e governança.
O critério do meio ambiente inclui o uso de energia, resíduos, poluição, conservação de recursos naturais, tratamento de animais de uma empresa e a avaliação de quaisquer riscos ambientais que uma empresa possa enfrentar e como a empresa está gerenciando esses riscos. Já o critério da responsabilidade social considera as relações comerciais da empresa, se os fornecedores possuem os mesmos valores, se ocorre doação de uma porcentagem de seus lucros para a comunidade local ou incentivo aos funcionários para realizarem trabalhos voluntários, se as condições de trabalho da empresa valorizam a saúde e a segurança de seus funcionários e se os interesses de outras partes interessadas são levados em consideração. Finalmente, o critério de governança, considera se uma empresa usa métodos contábeis precisos e transparentes, se os acionistas têm a oportunidade de votar em questões importantes, se há garantias de que as empresas evitam conflitos de interesse na escolha dos membros do conselho, se há proibição de uso de contribuições políticas para obter tratamento indevidamente favorável e se não se envolvem em práticas ilegais.
Historicamente, a partir da Guerra do Vietnã e as tragédias humanas exibidas para o mundo, começou a haver um movimento de protestos no meio universitário norte-americano contra investimentos na indústria de armamentos e materiais bélicos. Porém, foi na década de 90 que o termo sustentabilidade começou a ganhar relevância no meio corporativo e foi criado o primeiro índice global de mensuração dos critérios de sustentabilidade: Índice Dow Jones de Sustentatibilidade. Aliás, em 1992, houve a realização da ECO 92 no Rio de Janeiro, tendo sido a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Outro marco interessante foi a concepção do Tripé da Sustentabilidade (Triple Bottom Line) criada por Elkington:
Na esteira desse movimento, um grupo internacional de investidores institucionais, sob a chancela da Iniciativa Financeira do Programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Meio-Ambiente (UNEP FI) e o Pacto Global da ONU, criou os 6 (seis) Princípios para o Investimento Responsável (PRI):
| 1. Incorporaremos os temas ESG às análises de investimento e aos processos de tomada de decisão. |
| 2. Seremos pró-ativos e incorporaremos os temas ESG às nossas políticas e práticas de propriedade de ativos. |
| 3. Buscaremos sempre fazer com que as entidades nas quais investimos divulguem suas ações relacionadas aos temas ESG. |
| 4. Promoveremos a aceitação e implementação dos Princípios dentro do setor do investimento. |
| 5. Trabalharemos unidos para ampliar a eficácia na implementação dos Princípios. |
| 6. Cada um de nós divulgará relatórios sobre atividades e progresso da implementação dos Princípios. |
E a partir da criação do PRI, foi impressionante o impulso dado à questão da sustentabilidade e à importância das questões ambientais, sociais e de governança, para a atração de investimentos. O quadro abaixo fornece uma exata dimensão da disseminação desse conceito globalmente:
Passemos a uma breve análise de como incorporar esses 6 (seis) princípios na rotina diária de negócios.
Em um esforço paralelo visando erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade, a ONU instituiu os 17 (dezessete) objetivos de desenvolvimento sustentável, esperando que seus Estados-Membros promovam esforços no sentido de perseguir a sua implementação até 2030. Eis abaixo a lista dos objetivos:
Esses objetivos de desenvolvimento sustentável devem ser considerados na estratégia ESG que venha a ser implementada em uma organização.
Os padrões SASB, que identificam as questões ESG mais relevantes para 77 diferentes setores, constituem-se em outra ferramenta importante que deve ser considerada, no momento de ser delineada a estragéia ESG da organização.
Atualmente, existem empresas de pesquisas de critérios ESG, tais como Just Capital, S & P Dow Jones Indices, Refinitiv, Bloomberg, etc., que coletam dados e criam um ranking no setor financeiro para uma vasto número de empresas, atribuindo uma pontuação que vai até 100 (cem) pontos. Obviamente, quanto maior a pontuação, melhor terá sido o desempenho da empresa diante dos critérios ESG. Para atribuir essa pontuação, documentos como relatórios anuais, medidas de sustentabilidade corporativa, recursos / funcionários / gestão financeira, estrutura e remuneração do conselho, entre outros, são analisados sob a premissa ESG.
Como os critérios ESG podem mudar dramaticamente a alocação de investimentos doravante, empresas que buscam investimentos ou fazem a gestão de carteiras de investimento não devem cometer o erro de subestimar esse viés para o negócio. Situações como vazamentos de petróleo, emissões de CO2, gases que agridem a camada de ozônio como o CFC, falhas graves na governança da empresa, são exemplos de desafios cada vez maiores que empresas sujeitas a situações similares enfrentarão para a captação de investimentos.
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