22.08.2020 – A Pfizer Inc. ajuizou um processo em 26 de junho de 2020, segundo a Reuters, para exigir que o governo federal a permita ajudar os beneficiários do programa federal de saúde Medicare a pagar dois medicamentos para tratar uma doença cardíaca rara e às vezes fatal, e que custam US$ 225.000 por ano.
A farmacêutica disse que o Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (OIG) está impedindo-a de oferecer ajuda financeira a pacientes que não podem arcar com os copagamentos de seus medicamentos Vyndaqel e Vyndamax, porque considera tal ajuda um pagamento indevido (kickback).
Um porta-voz do inspetor-geral não quis comentar.
Os medicamentos da Pfizer tratam a cardiomiopatia amiloide transtirretina, que faz com que o coração enrijeça e impeça a sua capacidade de bombear sangue. A condição pode causar insuficiência cardíaca progressiva e morte, se não tratada.
Embora a Food and Drug Administration dos EUA, em maio de 2019, tenha aprovado os dois medicamentos, também conhecidos como tafamidis e que a Pfizer chamou de um possível blockbuster, a farmacêutica com sede em Nova York atraiu críticas por seus custos.
Um estudo em fevereiro da American Heart Association disse que o tafamidis foi a droga cardiovascular mais cara lançada nos Estados Unidos, e seu custo-benefício a longo prazo era incerto.
Na reclamação de sexta-feira apresentada no tribunal federal de Manhattan, a Pfizer disse que sua intenção não é “corromper” os médicos para que prescrevam seus medicamentos com mais frequência, mas sim garantir que os pacientes recebam o tratamento necessário.
Trata-se de uma questão de suma importância para todo o setor de cuidados com a saúde, cujo resultado pode impactar dramaticamente as iniciativas de diversas indústrias, no sentido de custear copagamentos, a fim de permitir que pacientes que não possam pagar pela sua parte do produto oferecido pelo Medicare, possa obtê-lo.
Algumas empresas do setor tem feito doações a associações de pacientes, que acabam por auxiliar seus associados nos copagamentos exigidos pelo Medicare. A questão, entretanto, ultrapassa o propósito da filantropia, quando tal doação é condicionada a ser utilizada apenas para os produtos da empresa, pois se torna evidente que a empresa almeja viabilizar a venda do seu produto.
E ao ajuizar tal ação, a Pfizer toma uma decisão arrojada de tornar pública essa discussão, se é legal ou não é legal uma empresa viabilizar o copagamento exigido pelo Medicare, para viabilizar a venda do seu produto. Na prática, seria algo semelhante como as empresas que trabalham com coupons de desconto para expandir suas vendas.
Com efeito, a Pfizer vai enfrentar três argumentos muito difíceis:
Por outro lado, a Pfizer possui 3 argumentos também a seu favor:
O fato é que a iniciativa da Pfizer é acompanhada com muita atenção por todo o setor, já que pode se tornar um divisor de águas com relação ao tema, dependendo de qual seja a decisão a ser adotada pelos tribunais norte-americanos.
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